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Girderlândio Lemos
Jequié, Ba, Brazil
site: www.uqmarketing.com.br Designer profissional, Formado em Marketing, Trabalhos desenvolvidos em Agências de Publicidade, Assessorias de comunicação e gráficas, Três livros escritos, ainda não publicados.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Apenas um conto

Tomás olhava, incrédulo, aquela cena nada convencional. Estava acostumado a receber bem menos, mas aquele brilho meio prateado meio dourado...

– Será que era de verdade? (Pensou)
– Acho que vou morder (Disse para si mesmo)
– Mas mesmo se fosse falsa, a mordida não seria a mesma? Afinal, dente nunca foi mais forte que nenhuma liga metálica.
– Mas se amassar... Será? Falsa?
Nesse momento fez menção em colocar a moeda entre os dentes

– Espere Tomás! E se quebrar? (Hesitou)
– Dói só de pensar. Dor de dente é cruel.
Ao olhar novamente para a moeda, mas um pensamento o perturba

– Dinheiro mesmo ganho de forma limpa é sujo. E se eu morder e pegar um verme! Ou uma doença mais séria?
– Uma solitária! Uma galera! Uma tropa de vermes... (Tomás sente um frio na espinha)
– Ave Maria! Que pensamento mais insano!
– Deve ser a fome. (pensou)

Fazia dois dias que não punha nenhum alimento de verdade na boca. Somente água da fonte da praça e alguns restos que achou no chão e nas lixeiras.

–Hum! O cheiro ainda estava no ar... Cachorro quente, pipoca, acarajé... Hum!
– Droga babei na moeda!

Apesar de tudo Tomás estava feliz. Pois geralmente recebia somente centavos. Às vezes para conseguir um conto, demorava mais de duas horas e aquele estava ali, Inteiro, em suas mãos.

– “Um conto” era tudo que tinha. A moeda já havia mudado de nome, mas, para Tomás, não importava. Era “um conto” e pronto.

Tomás pensou no que podia comprar. O valor era pouco para saciar suas necessidades, mas, se usasse bem, quem sabe, poderia, mais uma vez, enganar a fome.

– Se as pessoas fossem mais caridosas ia ser tão bom! (suspirou)

– Não! Não sei se seria. Pois se ao invés de centavos começassem a dar valores maiores à concorrência poderia aumentar. Já pensou? Do jeito que está já é complicado, se dessem mais, não sei não.

– Teria um bando de desocupado ocupando a rua. Hahahahahahahah! (Tomás solta uma risada banguela)

De repente! Uma leve pontada vem à cabeça. Tudo se apaga... A luz, a dor, a fome, a vida. Uma bala perdida, um crânio, um corpo...

Pela primeira vez na "vida" Tomás era o centro das atenções. Não era alguem sem valor. era um anônimo, uma vítima, ou apenas um conto esparramado no chão.

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