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Jequié, Ba, Brazil
site: www.uqmarketing.com.br Designer profissional, Formado em Gestão de Marketing, Instrutor de Informática para concursos - Trabalhos desenvolvidos em Agências de Publicidade, Assessorias de comunicação e gráficas, Três livros escritos, ainda não publicados.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Viver é uma arte - Pag 03/65

VIVER É UMA ARTE

Publicação semanal

Pag 03/65

Minha mãe tinha amigas que deveriam saber o que essas mulheres faziam, pois tinham roupas semelhantes, talvez fosse o álcool. Pois quando minha mãe bebia ela não se preocupava muito com o frio apesar de nunca ter ido a esquina ficar como aquelas mulheres.

Bebia com as amigas, geralmente demorava a deitar, a casa poluída com aquele odor nauseabundo não me deixava dormir também. Eu ficava sentado na janela até a madrugada quando o corpo pedia um pouco de descanso.

Eu me achava uma criança comum, passava a maior parte do tempo na rua, com meus amigos. Todos simples, tal como nossas brincadeiras. Enquanto muitos da minha idade tinham bicicletas eu, um carrinho de madeira com umas rodinhas de ferro chamadas rolimãns. Descendo a ladeira esburacada, sorria. Enquanto Catarina que quase sempre estava fora de casa bebia. Minha avó morou conosco até meus sete anos de idade e para me salvar de uma surra ébria, sem motivo. Levou uma forte pancada no rosto com um copo atirado das mãos de sua própria filha. O que a fez temer suas crises de pressão, minha avó estava indo embora e junto a ela um pouco de mim também. Agora eu estava só. O álcool me acompanhava, já que ele era perseguido pelo vendedor, pelo dono do bar, pelos lábios de Catarina, e enfim lá estava eu ao lado de corpo deitado, sem jeito, no sofá. E no chão um copo pelo meio e algumas garrafas vazias refletiam o vazio da minha vida.

Eu o chamava de meu filhinho, afinal fui quem o criou. Catarina, ainda menina, bebia demasiadamente. Saia para muitas festas, acostumou-se rápido com a cidade já que na roça onde morávamos não havia tantas alternativas de diversão.

Sempre quis o melhor para minhas filhas. Todavia minha tristeza era ver Catarina ainda menina-moça com 14 anos entregue em casa quase inconsciente, completamente entorpecida pelo veneno que vendiam com belos rótulos e propagandas. Mas Deus queria dar uma nova chance aquela criança. E se o amor é a maior das forças só ele seria capaz de resgata-la daquele naufrágio que a afundava, dia após dia, em latas, garrafas, e lágrimas daqueles que estimavam sua felicidade.

Cláudio era um rapaz vistoso, moreno, cheio de charme, ele, sempre brincalhão, tinha as mulheres que quisesse. Apesar de ter um conceituado caráter, pelos amigos e família, era um cafajeste com as mulheres; tinha várias, e não tinha nenhuma. Casos sem importância, mulheres que só serviam para uma boa noite na cama,nada mais. Era Festa de Santo António, padroeiro de Triunfo. Cidadezinha do interior da Bahia ,na qual morávamos a mais de 8 anos. Nesta data comemorativa, 13 de Julho, era marco na região. Pessoas de muitas cidades vizinhas vinham para a comemoração, tinha parque, rodeio, shows durante toda a semana anterior, as festas só se encerravam no dia do Santo casamenteiro, como é chamado Santo António na Bahia. Cláudio com alguns amigos numa barraca de bebidas curtia a festa, uma mulher sorria junto a outras numa mesa próxima. E ao passar perto da mesa de Cláudio, caiu em meio as pessoas. Que pelo seu hálito, e sua linguagem confusa

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