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Jequié, Ba, Brazil
site: www.uqmarketing.com.br Designer profissional, Formado em Gestão de Marketing, Instrutor de Informática para concursos - Trabalhos desenvolvidos em Agências de Publicidade, Assessorias de comunicação e gráficas, Três livros escritos, ainda não publicados.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Viver é uma arte - Pag 08,09 e 10

Ver página 01 do livro

...mergulhados em nossas lágrimas, debruçados sobre arrependimentos, tendo pena de nós mesmos. Nos revoltamos com o mundo e na insanidade do desespero, a falta da fé força-nos a desistir da luta, até que um amigo estende a mão, abre um sorriso e tenta nos colocar novamente na linha do destino.

Os amigos dão motivação, apoio, força, mas para uma alma morta, pouco adianta isso, tive poucos amigos e muitos colegas, esses últimos são fáceis de se arranjar, uma conversa aqui, outra ali, um sorriso acolá e pronto, lá está você cercado de pessoas alegres que parecem ser amigos com letra maiúscula, mas uma das coisas mais certas do mundo é que nem tudo é o que parece ser. Minha mãe sempre dizia isso. Algumas vezes eu paro para pensar: "E minha mãe, será que teve amigos?". Durante todos os dias da minha vida, essa foi uma das perguntas dentre outras tantas que permaneceram sem resposta. Minha mãe D. Catarina sofreu muito depois que eu nasci, houve uma briga horrível entre ela e Cláudio, meu pai; adivinha só o motivo?

Ela o amava com todas as suas forças, porém ele não era assim. Nem a si próprio ele conhecia. Jurava, a respeito do amor que dizia sentir, foi quando tudo aconteceu.

Na noite de reveillon, tudo parecia perfeito. Cada estrela no céu parecia brilhar nos olhos daquela jovem debutante, a qual Cláudio apaixonadamente disse: "Eu te amo." Em meio a areia da praia, corpos adolescentes, transpiravam e rolavam deixando as preocupações e tristezas serem carregadas pelas ondas. O céu parecia ter caído no mar, as estrelas boiavam na água, o vento que soprava vagarosamente levava consigo aqueles gemidos, a brisa, sem sucesso, tentava esfriar um pouco aqueles corpos incandescentes. E desse louco desejo, confundido com o amor, e que eu surgi. Cláudio mal completara seus dezoito anos. Catarina tentou esconder a gravidez. Com receio, decidiu, após o terceiro mês contar para Cláudio sobre o seu filho. Foi quando a máscara caiu. Fugindo para a capital para não se tornar um adulto precoce, Cláudio levou consigo parte de Catarina que se entregou a náufraga vida dos bêbados. Mergulhada num copo de uísque ela chorava noites e noites a fio. Enquanto a mim, ficava sentado na janela, admirando o duro contraste do silêncio da noite na minha frente e o barulho dos vidros, copos, gritos atirados dentro de casa. Havia momentos que o brilho do cinto ébrio me instigava a vontade de xingar, brigar e até agredir a minha mãe, mas qual o direito que eu tinha de acusa-la? Ela, assim como eu, estava sofrendo.

Amenizar a dor de Catarina com a minha própria passou a ser rotina, acabei me acostumando e descobri o gosto pela dor. A partir daí passei a sofrer menos. A dor da carne suavizou a dor da alma e fui vivendo tentando aprender o que era certo e errado, buscando no sorriso dos outros o meu próprio sorriso. E o mais importante de tudo: procurando a vida que eu não tinha, o amor que eu não conhecia, mas sabia que iria me fazer viver pela primeira vez.

Decidi buscar o amor em todos os lugares. De todas as formas. Me apaixonei inúmeras vezes. E amei, amei cada beijo, cada declaração que ouvia e dizia, aproveitando minha sensibilidade, amei, duas, três... e cai tantas quanto pude suportar. "Por que amar é tão difícil". Incessantemente questionei, mas nunca obtive respostas. Comecei a entender o por que do medo de amar, tão comum nos dias de hoje. Semana passada ouvi de uma garota que o amor não existia e que o sexo era igual o amor, caso fosse assim, meus pais ainda estariam juntos e eu estaria com uma outra narrativa. Cláudio não amava catarina. Pois se amasse eu não o chamaria de Cláudio e sim de PAI...

- Aquela viajem foi a pior que já fiz. Catarina realmente mexeu comigo, nunca antes eu havia sentido vontade de estar o tempo todo com alguém como estava com ela. Essa gravidez veio em péssima hora e pior, sua família queria que eu me casasse com ela. Fui eu quem registrou Júlio no cartório, fui para o hospital ver meu filho. Ele se parecia comigo, apesar de tê-lo visto rapidamente senti algo que nunca havia sentido antes, uma aflição desvairada. No fundo, eu queria ficar; mas não podia deixar minha vida, juventude, minhas vontades para assumir aquela criança. Aliás, Catarina já havia aprontado muito comigo, vexames em bares, escândalos em festas, ela era alcoólatra contudo não admitia que alguém lhe dissesse isso. Minha família a adorava, eles nunca a viram beber, e ela , quando sóbria, era realmente uma mulher fantástica, cheia de sonhos, carinhosa, até mesmo um pouco tímida. Eu a amava, mas não poderia continuar com ela. Não gosto de ser obrigado a nada, sua família praticamente me obrigou a casar, eu não estava pronto para ser pai, a culpa foi dela pela gravidez, ela deveria ter se previnido, pois sabia que eu detestava camisinha. Sinto pelo que aconteceu entre nós, não sei como é meu filho, já que o vi apenas quando era um bebé, sei apenas que Catarina é uma mulher forte e irá virar-se bem sem mim. Não daria certo, eu odeio cigarro e ela fuma, ela bebe em demasia e eu não gosto escândalos, sou jovem e tenho que viver a vida, a juventude não volta mais então como posso perder a chance de aproveitar esse tempo precioso que chamamos de adolescência. Talvez um dia eu me case, quando tiver uns 30 anos. Mas agora com 19 ainda sou muito jovem para assumir qualquer responsabilidade. Se, por ironia do destino, acontecer outra gravidez inesperada com outra garota. Agente tira a criança, ou então eu vou para outro lugar, começar tudo de novo.


Queria acreditar no amor, mas tudo era o oposto do que eu pensava. Me magoei até perder a conta, não passava uma semana namorando alguém e logo, ao sentir o primeiro vinculo afetivo, terminava o relacionamento. "Ta mal! Ter esperanças e pior do que não ter." - afirmei para mim mesmo, quando se tem esperanças, a ilusão da felicidade parece estar tão perto que, ao acordar desse sonho, a sensação é da vida ter acabado. Para mim, pouca diferença fazia viver, morrer, sofrer, tudo se resumia na busca do meu sonho tão comum a humanidade: amar.

As marcas deixadas pelo meu passado tortuoso não me deixaram em paz, no entanto, foram pelas lições de vida, que adquiri uma certa resistência ao sofrimento, abominação ao álcool e fiz da verdade, parte fundamental do meu caráter. Não sou um Deus, mas também não me caracterizo como uma pessoa comum. Claro que já menti algumas vezes, mas é conveniente admitir que em certas ocasiões não se pode dizer tudo, uma mentira que não prejudique ninguém, às vezes é necessária, mas até para mentir e preciso arte; se não houver um reflexo amplo sobre o que se dizer, pessoas podem sofrer.

É noite, aqui , sinto o frio da brisa e mergulho com você na história da qual fazemos parte, sei que cada um tem a sua própria história, mas o nome para ela é igual para todos - A VIDA. Daqui deste ponto, os carros já não passam por baixo de nós, é noite alta, as pessoas estão em suas casas descansando do estresse diário do dia de trabalho. Cada acontecimento nos torna maiores ou menores, dependendo do aprendizado que tiramos das situações marcantes das nossas vidas, o que, as vezes, nos impede de continuar a construir a nossa personalidade. O segredo é aprender. Deus é o mestre e se encontra em todas as coisas, absorver conhecimento através da vida não é tão difícil, a dificuldade esta na maneira com que você faz, da teoria a prática.

Ser teimoso é uma característica comum ao ser humano, por isso fica complicado mudar de ideia. Aceitar um erro, ouvir o que não se concorda parece ser algo absurdo, mas, as vezes, é o mais correto a fazer.

Disseram-me certa vez: "Viva, sem medo de ser feliz, pois a felicidade virá no momento certo." Eu nunca quis ouvir. A vontade de encontrar a felicidade me guiou até o último instante. Por isso eu estou aqui.

Era uma tarde comum, eu estava num "baba", a bola rolava e os pés, descalços, não se afligiam muito com o asfalto aquecido pelo Sol. Fiz um gol, mas no hora de comemorar, um carro dobrou a esquina nos obrigando a correr para a calçada. Um olhar fixo dentro do veiculo chamou-me a atenção. Uma jovem, com cabelos e olhos castanhos, espiava a rua. Tal como um pássaro espia uma árvore quando está dentro da gaiola, ela nos olhava. O carro parou numa casa próxima, o jogo recomeçou, mas eu, como que hipnotizado, continuei a olhar.

Ela desceu do carro, de a cabeça baixa, entrou na casa tendo seus pais logo atrás. A turma começava a caçoar com piadinhas a respeito daquele olhar fixo o qual eles, meus amigos, não haviam visto ainda.

—Garanhão! — disse sorrindo, Marcos. —Apaixonou! — fala irónico, Davi.

Num acesso repentino de gargalhadas, eu, meio sem graça, acabei entrando na gozação e caindo na algazarra. O jogo continuou até o Sol baixar, fui para casa tomar banho. Não havia ninguém por lá, já que a minha mãe estava no trabalho. Liguei a televisão e deitei no sofá. Tudo parecia normal, comecei a fazer meu exercício de matemática, fritei uns ovos para comer com arroz, fui assistir a novela das oito. Até ouvir socos na porta e uma voz enrolada tentando dizer: "abra aqui...", já era tarde, passava da meia noite, porém...

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